UMinho cria gestor de exames à la carte

03-10-2014 | Nuno Passos

José Miguel Pêgo, portuense de 36 anos, é docente da Escola de Ciências da Saúde da UMinho e investigador no ICVS/3B's

A plataforma medQuizz adapta-se a vários formatos e dispositivos eletrónicos

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MedQuizz é inovador nos filtros das perguntas, na correção imediata e nos meios de regulação, explica o professor José Miguel Pêgo.




Uma equipa da Escola de Ciências da Saúde da UMinho criou um software capaz de construir exames e de os corrigir sem a intervenção direta do professor. O medQuizz já está comercializado e funciona para diversas áreas científicas e contextos profissionais com exames escritos, estando também a ser criado um módulo de exames práticos.
 
“Estamos convictos que o impacto futuro da plataforma será um sucesso”, admite o professor e coordenador, José Miguel Pêgo. “Este sistema facilita o trabalho dos avaliadores e acelera o acesso dos alunos às classificações. E para áreas tão diferentes como Medicina, Engenharia, Ciências, Direito, Psicologia...”, exemplifica. O projeto venceu recentemente o concurso de ideias de negócio SpinUM e já tem clientes no Brasil e em Portugal.
 
Para dar um exemplo, imagine-se um professor de Matemática a pedir apenas cem das mil perguntas do sistema para o exame final, definindo filtros como o grau de dificuldade médio ou só na área de Álgebra. E, no final do teste, o aluno pode saber logo a sua nota, graças à correção das respostas de escolha múltipla ou mesmo das respostas abertas, pela soma semiautomática de expressões, frases e conceitos que o aluno teve que referir.
 
O medQuizz destaca-se das atuais plataformas de gestão de bancos de perguntas e administração de exames porque estas centram-se apenas num docente ou num conjunto de alunos e em geral não fazem seleção de subtemas ou perguntas aleatórias. Além disso, o medQuizz tem uma série de mecanismos de inteligência artificial que facilitam a construção de perguntas e impedem vários erros no processo.
 
Outra vantagem é que alarga os mecanismos de auditoria e regulamentação, ou seja, o conjunto de perguntas pode ser da instituição e não do docente, vendo-se rapidamente se os exames estão aplicados corretamente e com qualidade. Um mesmo exame pode ser aplicado em vários pontos do país mas a sua correção e gestão estar centralizada num ponto geográfico único. A instituição pode inclusive partilhar parte ou a totalidade do banco de perguntas e respostas com o aluno ou outras instituições, se o entender. Pode até haver perguntas não partilhadas, como as de exame, mas as restantes serem de acesso livre.
 
A equipa do projeto junta os professores José Miguel Pêgo, Joana Palha, Jorge Pedrosa, Nuno Sousa e os informáticos Nuno Santos e Paulo Cabral. A inovação resultou na criação da spin-off iCognitus4ALL – IT Solutions, sediada na Escola de Ciências da Saúde da UMinho, em Braga, e virada para o mercado mundial.