Como começou a sua ligação à Universidade do Minho?
No Bar da Associação Académica (BA), [sorriso] onde comecei a trabalhar, em 1990. Na altura o presidente da AAUM era o Luís Novais. Foram tempos que tiveram tanto de caricato, como de fabuloso. Dos melhores da minha vida! [risos]
Fale-nos um bocadinho desse tempo.
A Universidade era bem mais pequena e por isso havia também uma grande união entre os alunos. Quando se juntavam todos ali, o BA tornava-se pequeno e uma meia dúzia de “cardeais” que andava mais a “passear livros” do que a estudar [risos] transformava-o numa tortura para os funcionários! Tive que pedir ao presidente da AAUM para contratar mais um funcionário. Veio o [Manuel] Fernandes! Que hoje é motorista do sr. reitor. Passámos momentos fantásticos! [sorriso] Nunca na minha vida tinha visto beber tanto! As três torneiras de cerveja que tínhamos ao balcão não paravam de encher copos. Cansávamos os braços! Eu tinha pouco mais que 30 anos e era muito pacato. Ali fui praticamente obrigado a espevitar! Os alunos eram uns marotos e faziam-nos muitas judiarias! [risos] Já nem falo do barulho. A polícia chegava-se vezes sem conta à nossa porta. Com a exaltação dos momentos e as vezes que as situações se repetiam, obrigava-nos a pedir a ajuda do sr. reitor, prof. Sérgio Machado dos Santos, que já de madrugada e em robe, ia ao nosso encontro, demover os agentes da polícia. Mas o companheirismo era tal que não dá para esquecer nunca! [sorriso] Por diversas vezes, fechávamos a porta do Bar e saíamos pela noite adentro com os alunos. Convidavam-nos para ir ao
Penha Club (que tinha aberto por essa altura) e para o
Crocodilo!... Não era sempre, até porque nessa altura eu já tinha os meus dois filhos, mas acontecia algumas vezes e era muito divertido.
Depois disso, veio para a UMinho.
Dois anos e meio mais tarde passei a trabalhar nos Serviços Técnicos. A universidade começava a instalar-se nos campi de Gualtar e Azurém e eu ajudei a mudar praticamente todos os serviços e unidades orgânicas que compuseram, numa primeira fase, os
campi universitários. Carreguei de tudo, desde dossiers a mobiliário. Foi um trabalho muito duro, muito exigente, de tal forma que, durante o tempo em que estas mudanças decorreram, partilharam funções comigo 12 funcionários. Fiquei sempre eu, com a esperança e ambição de um dia poder vir a integrar os quadros da UMinho.
Quando é que passou para o Setor dos Correios?
Cinco ou seis anos depois, o sr. reitor chamou-me. Temi o pior, porque a minha situação profissional era precária. Estava tão nervoso que até perdi o apetite! O prof. Sérgio Machado dos Santos propôs-me trabalhar no setor dos correios do Largo do Paço. Aceitei de imediato! Fiquei um mês à experiência. Passado esse tempo, o sr. reitor voltou a convocar-me e disse-me que os Serviços Técnicos me queriam de volta. Felizmente, o prof. Sérgio conhecia-me, sabia das minhas capacidades e compreendeu a minha vontade de ficar. Prometeu-me um lugar nos quadros da universidade. Emocionei-me! [sorriso] Prossegui nos correios, com a d. Rosa [Rodrigues], então responsável pelo setor, e o Silva.
É aí que começa a tornar-se mais conhecido.
[sorrindo] Comecei a circular por todos os espaços da universidade e a conhecer praticamente todas as pessoas que cá trabalhavam. A interação com colegas e docentes e o trato familiar que uma boa parte das ligações assumiu fizeram com que, em pouco tempo, me tornasse numa pessoa conhecida. Muita gente procurava-me para pedir ajuda nisto ou naquilo. Confiavam em mim; sabiam que eu era persistente e que fazia tudo o que estivesse ao meu alcance para ajudar quem me procurava.
Anos mais tarde, o setor dos correios do Paço passou para o campus de Gualtar.
Sim, foi há cerca de sete anos. Nessa altura, ficámos eu e o meu filho Mário Rui, que entretanto começou também a trabalhar na universidade, a fazer a distribuição e assumiu a coordenação o dr. Aníbal [Santos], que regressava de um período de três anos na Polícia Judiciária.
O que é que se alterou com a mudança para o campus de Gualtar?
As rotinas de distribuição alteraram-se ligeiramente, como não podia deixar de ser. Mas a maior dificuldade foi o espaço onde nos instalámos. Até à mudança, estava ali em funções apenas uma pessoa, o Pedro, e de repente o mesmo espaço acolheu mais três. Estou certo que vamos melhorar nesse espeto, mas a verdade é que conjugar pessoas, mobiliário, máquinas e caixas de depósito de correio num espaço reduzido cria-nos algumas limitações.
Quais são as suas funções no setor dos correios?
De manhã, por volta das 7h30, vou aos CTT de Maximinos recolher o correio destinado à UMinho. Já no campus, faço a separação do correio para o Paço (inclui o edifício da Reitoria, os Congregados, o Museu Nogueira da Silva, a Casa Museu de Monção, a Unidade de Arqueologia e a AAUM), porque esse é o primeiro a ser registado no sistema informático. Depois registado e ordenado, transporto-o até aos destinos e recolho, nos mesmos locais, o correio interno e para o exterior. Repito esta recolha no período da tarde e no final volto aos CTT de Maximinos para levar todo o correio recolhido durante o dia. Há dias em que tenho que levar correio urgente. Sinto que trabalho para duas instituições, porque a camaradagem que existe para com os colegas de Maximinos e os da UMinho é a mesma. Sinto-me em casa em ambas!
O que é que lhe dá mais prazer no trabalho?
Adoro conhecer as pessoas da UMinho e saber o local onde trabalham! [sorriso] Sou muito rigoroso no que faço e como tenho consciência que apesar de ser rotineiro, há uma grande diversidade de origens da correspondência e uma ainda maior variedade de destinatários, tenho que me concentrar para que nenhum envelope vá para o serviço errado. Errar no destino de uma carta pode causar muito transtorno! E acho que é graças a essa concentração que conheço todos os cantinhos da casa e todas as pessoas que nela trabalham. Não sei o meu número de contribuinte, mas sei o da UMinho!
Os tempos atuais são de desmaterialização. Em vez de correspondência, enviam-se mensagens de e-mail e documentos criados e assinados eletronicamente. Acha que esta é uma realidade que veio da dimensão que a UMinho alcançou?
Definitivamente! Acho até que esta é, senão a melhor, uma das melhores fases da UMinho. Entendo que temos a melhor plataforma de registo e distribuição de correspondência e de comunicação interna. Beneficia-nos tanto e poupa-nos tanto tempo! Não está perfeita, mas da forma que se apresenta, tem tudo para ser aperfeiçoada, ser um sucesso e tornar-se um exemplo para muitas outras instituições.
Acha que o correio postal tende para um fim?
Tem diminuído bastante, mas tender para um fim, creio que não. Vão surgindo sempre situações de entregas urgentes que é preciso solucionar na hora. Os chamados MS9 e MS12, que são duas modalidades de correio prioritário e que contam com estafetas próprios, são a resposta para essas urgências e não há forma de as contornar.
O que gostaria de ver acontecer na UMinho?
Gostaria que a Universidade do Minho se superasse a si mesma e a todas as universidades portuguesas. Pode ser que isso aconteça quando eu for mais velhinho! [sorriso]
O sr. Martins, o futebol e mais futebol!
Um livro. Leio jornais, todos os dias, logo pela manhã: o JN, o Correio do Minho, o Diário do Minho e os desportivos todos! Não costumo ler livros, embora tenha comprado imensos, relacionados com a Medicina, através do Círculo de Leitores. Quem os consulta é a minha mulher! [sorriso]
Um filme. Gosto de policiais, mas prefiro um bom debate televisivo. Permite-me ouvir várias opiniões e formar a minha.
Uma música. O hino do clube desportivo de Gualtar! [risos]
Uma figura. O general Ramalho Eanes.
Um passatempo. Desporto! Como não podia deixar de ser.
Uma viagem. Pinhão, no Douro.
Um clube. O meu Glorioso Benfica!
Um prato. Tenho vários! Não resisto a uma posta de bacalhau com arroz soltinho de feijão vermelho!
Um momento. Sempre que vejo a Praça do Marquês de Pombal (Lisboa) encher-se de vermelho!
Um vício. Futebol! [sorriso]
Um defeito. Tenho muitos! Sou muito teimoso, senhor do meu nariz e custa-me muito dar o braço a torcer. Já fui pior! Considero-me boa pessoa, mas se me fazem mal ou me tentam prejudicar, dificilmente retomo a relação.
Um sonho. Ganhar um prémio em dinheiro e oferecer um pavilhão desportivo ao ADC de Gualtar! [sorriso]
Um lema. O que regeu praticamente a minha vida toda: dar o melhor de mim e fazer-me valer para ser reconhecido. A grande prova disso foi a oportunidade que o prof. Sérgio Machado dos Santos me deu!
A UMinho. A casa que me faz acordar com alegria. Tenho aqui outra família.
|