Galegos e portugueses "nunca estiveram tão próximos"

17-06-2015 | Nuno Passos

Logótipo do I Dia da Galiza em Braga, em janeiro de 2013

A petanca, o "peón", as "bólas" e o espeto ou "pincho" fizeram parte dos jogos tradicionais do III Dia da Galiza, em maio

Henrique Barreto Nunes, vice-presidente do Conselho Cultural da UMinho, a intervir na tertúlia-colóquio da 1ª Semana Cutural "Convergências Portugal-Galiza", em fevereiro

Uxía Senlle e Sérgio Tannus na abertura do workshop "Encontros com a cultura galega", em fevereiro

Um momento divertido do III Dia da Galiza em Braga, em maio, com o jogo de puxar a corda protagonizado pelos mais novos

O apelativo cartaz dos cursos livres de Galego na UMinho no ano letivo 2010-11

Pedro Dono é responsável do Centro de Estudos Galegos e diretor da Área de Estudos Espanhóis da UMinho

Fernando Groba, leitor do Centro de Estudos Galegos, a mostrar habilidades com o "peón"

A professora Marisa Moreda (ao centro) com alunas de Estudos Culturais nos estúdios da RUM, em janeiro de 2013, durante uma gravação para o programa "Galiza Mais Perto", que deve o título a uma canção de Uxía

“A Galiza é o único lugar do mundo onde me pedem para falar português, e isso é maravilhoso”, declarou Mafalda Arnauth na conversa que teve com os alunos da UMinho em junho de 2012, nas I Jornadas "Galiza Mais Perto" (foto de Bruno Pereira)

Capa de "Pradolongo", primeiro filme em galego estreado em Portugal, em 2010. O realizador Ignacio Vilar e os atores Tamara Canosa, Rubén Riós e Roberto Porto foram acolhidos calorosamente, visitando várias escolas do distrito e dando palestras

O Centro de Estudos Galegos situa-se no 1º piso do Instituto de Letras e Ciências Humanas, no campus de Gualtar, em Braga

A Rede de Centros de Estudos Galegos tem meia centena de polos em 20 nações da Europa, América e Oceânia, vinculados a universidades e apoiados pela Xunta de Galicia. Em Portugal há valências nas academias do Minho, Nova de Lisboa e Algarve

Lápide de homenagem à cultura luso-galaica, com citações dos escritores Castelao e Pessoa, afixada num rochedo do castelo de Guimarães em 1988

1 / 14

Centro de Estudos Galegos da UMinho celebra a maioridade com múltiplas iniciativas, como cursos livres, a disciplina opção UMinho, programa de rádio, tertúlias e eventos culturais.




Ouvir Uxía, jogar bilharda, fazer a queimada… Talvez não se aperceba, mas há cada vez mais iniciativas sobre a Galiza no Norte de Portugal, nomeadamente em Braga. Nos bastidores está, entre outros, o Centro de Estudos Galegos (CEG), uma âncora da Xunta de Galicia lançada no Instituto de Letras e Ciências Humanas da UMinho. Só nas últimas semanas, o CEG copromoveu cinco eventos de fôlego – o III Dia da Galiza, a I Semana Cultural Convergências Portugal-Galiza, a Oficina de Teatro Galego, o Workshop "Encontros com a Cultura Galega" e, ainda, uma viagem de estudo ao outro lado da raia, com escalas na Casa Museu Rosalía de Castro, no Mosteiro de Santa María de Oia ou na "rapa das bestas" (cavalos) de Valga.
 
É a ponta do véu de “um trabalho contínuo, sustentado, por vezes inesperado", que "celebra as afinidades históricas, linguísticas, culturais e económicas entre a Galiza e o Norte de Portugal, além de aumentar o conhecimento sobre os dois territórios, que partilham uma grande proximidade”, frisa Pedro Dono. Este responsável do CEG, enquanto diretor da Área de Estudos Espanhóis da UMinho, foi há 18 anos o primeiro “leitor” (professor) de Língua e Cultura Galega na academia minhota, ao abrigo do protocolo com a Xunta de Galicia e com o apoio do vice-reitor Vítor Aguiar e Silva. Depois passaram mais cinco "leitores", sendo o atual Fernando Groba.
 
Trata-se de uma bolsa de três anos como docente convidado do Departamento de Estudos Românicos da UMinho, assegurando, entre outras tarefas, os cursos livres de Galego no centro de línguas BabeliUM, o programa semanal Galiza Mais Perto na Rádio Universitária do Minho e a lecionação da disciplina de opção Língua e Cultura Galegas, que é comum a vários cursos de Letras. No ano 2015/16 será lançada a disciplina Sociedade e Cultura da Galiza para todas as licenciaturas da academia, como opção UMinho. "Esperamos que atraia muitos estudantes de diversas áreas, pois permite abrir horizontes, conhecer uma parte da História que é também portuguesa e pode até ajudar em termos de empregabilidade”, anui Pedro Dono. Se formos a ver pela adesão aos cursos livres de Galego – com bastante sucesso entre portugueses e alunos de países improváveis como a Bielorrússia –, as expetativas são boas.
 

De Mafalda Arnauth a “Pradolongo”
 
“O CEG possui já um conjunto importante de atividades com impacto na sociedade, em especial na bracarense. Promove a língua e cultura galega nas suas diversas vertentes, unindo música, debates, teatro, exposições, cinema, poesia, gastronomia, lendas e jogos tradicionais”, salienta Pedro Dono, sem esquecer as parcerias com instituições da região e o apoio de alunos da UMinho em algumas das ações.
 
No passado recente, mereceram destaque o lançamento em Portugal do primeiro cancioneiro popular galego, um encontro inédito de escritoras/es da Galiza e do Minho, a divulgação do filme “Pradolongo” em cinemas da cidade e nas escolas com o realizador, a conversa com a fadista Mafalda Arnauth sobre a sua participação num disco dos Milladoiro, a ligação à mobilidade galaico-japonesa no projeto Via Láctea, a apresentação do CD “Rosalía Pequeniña” com Uxía Senlle e o workshop com a atriz e diretora teatral Vanesa Sotelo.
 
“Cada vez há menos fronteiras nesta eurorregião. Provavelmente, os galegos e portugueses nunca estiveram tão próximos como hoje”, devolve Pedro Dono, para continuar: “No entanto, ainda há muito para descobrir de cada lado do rio Minho. O importante é conhecermo-nos melhor uns aos outros para eliminar alguma barreira ou dificuldade que possa existir e, assim, poder haver um relacionamento mais ambicioso, mais sólido e mais intenso entre todos”.