A Universidade do Minho realizou neste ano letivo o
primeiro programa de acolhimento para os estudantes internacionais. O estatuto do estudante internacional, aprovado pelo Governo no ano passado, permite às instituições do ensino superior regulamentar a captação de estudantes estrangeiros, através de um regime especial de acesso aos ciclos de estudos de licenciatura e mestrado integrado. Para o efeito há um regime especial de acesso, podendo candidatar-se os jovens titulares de um diploma que faculte a entrada para o ensino superior no país de origem ou que tenham concluído o ensino secundário português ou um ciclo de estudos a ele equivalente.
No regime de
estudante internacional, o valor de propina é calculado em cada curso, em função do respetivo custo real da formação, e as suas vagas não interferem com o regime geral de acesso dos alunos portugueses. Ao abrigo deste novo estatuto, a UMinho acolhe este ano letivo mais de 40 alunos de quatro continentes, que se dividem por cursos das unidades orgânicas de Arquitetura, Ciências, Ciências Sociais, Direito, Economia e Gestão, Enfermagem, Engenharia, Letras e Ciências Humanas e Psicologia. Os estudantes internacionais, que vêm de países como Angola, Brasil, China e Ucrânia, entre outros, têm ao seu dispor o Balcão de Atendimento ao Estudante Internacional (BAEI) para apoio na resolução de questões ou problemas que possam surgir.
Patrícia Santana, Brasil: "Uma oportunidade importante"
Para Patrícia Santana, a entrada na UMinho acaba por ser uma “oportunidade importante”. "Já estava em Portugal desde janeiro, pois acompanhei o meu marido que está a fazer um doutoramento", revela. Para a jovem de 26 anos, sair de São Paulo e apostar em Braga e na UMinho “é uma escolha natural, depois de pesquisar tudo sobre a metodologia e a fantástica infraestrutura que esta universidade oferece”. Além disso, “ninguém fica indiferente ao prestígio internacional da Universidade do Minho”, confessa. Outro fator determinante para a escolha de carreira foi o índice de empregabilidade. Patrícia tem estudos na área das Relações Internacionais, no entanto resolveu apostar num curso de Engenharia Informática: “Percebi que há muita oferta de trabalho para informáticos”.
Considera a UMinho uma aposta ganha, porque “é uma universidade fantástica, que tem este conceito de aluno a tempo inteiro, onde se pode estudar, usar as bibliotecas, ir ao ginásio, almoçar a preços reduzidos, tudo no mesmo lugar”. Quanto à adaptação a Portugal, não se julgue que a língua é algo óbvio. "Os portugueses usam muitos termos que eu ainda não conheço e, se falarem rápido, então é difícil”, admite a estudante brasileira. No entanto, há surpresas da sociedade portuguesa que aparecem “ao virar da esquina”. "Apesar de eu ter sido muitíssimo bem recebida por este grupo de acolhimento de estudantes estrangeiros, há sempre uma adaptação, até nas coisas mais de base”, acrescenta, citando como exemplo o facto de não vir habituada a que os carros parem na passadeira para que as pessoas passem: “No início o carro parava e eu ficava parada também”, sorri.
Hanna Chayka, Ucrânia: "Tinha boas referências da UMinho"
A ucraniana Hanna Chayka tem 22 anos e está de regresso a Portugal, desta vez para tirar um curso superior. Após uma primeira estadia, voltou à sua cidade no interior da Ucrânia; no entanto, o percurso académico trouxe-a de volta, a Braga, com uma licenciatura em Enfermagem nos objetivos. As motivações principais da escolha prendem-se com opiniões que foi recolhendo. "Tinha recomendações desta universidade, bem como muitas boas referências dos seus investigadores”, explica. Além disso, a língua já não constituía problema depois da primeira estadia em terras lusas. “Demorei um a dois anos para começar a entender e a ter algumas conversas em português”, admite.
Os portugueses surpreendem-na pela simpatia, já que na UMinho "os colegas são muito acolhedores e os serviços são muito prestáveis e disponíveis para resolver os problemas”. A esta distância, Hanna não considera os "seus" dois países muito diferentes. "Aqui, as pessoas são muito acolhedoras e às vezes surpreendentes”, confessa, contando entre risos que chegou a ver no inverno "um rapaz vestido com calções e chinelos e um grande casaco de agasalho”.
Manuel Vítor, Angola: "Os professores interagem muito connosco"
Manuel Vítor vem de Luanda e gosta de aproveitar ao máximo cada experiência. No Minho, "ter saudades de casa é o que custa mais". Em Portugal desde 2014, quando veio frequentar o Curso de Preparação para Estudantes Internacionais para Acesso ao Ensino Superior Português, o angolano de 21 anos refere-se a esta academia com orgulho. "Através da bolsa de uma multinacional, que ganhei em Angola, tive a oportunidade de vir para uma das melhores universidades de Portugal, neste caso a Universidade do Minho”. As expectativas do jovem são grandes. "Esta universidade prepara bem os futuros profissionais e estou convencido que ao fim dos cinco anos do mestrado integrado terei a experiência necessária para voltar para trabalhar e ter sucesso em Angola", pensa o futuro engenheiro de gestão industrial.
O método de ensino tem surpreendido Manuel Vítor pela positiva. "Os professores interagem muito com os estudantes, aproximando-se na linguagem, com aulas de apoio, o que me permite tirar mais proveito das aulas", descreve. Uma visita à terra natal só está prevista para o verão de 2016. "As saudades apertam, mas, no essencial, sinto-me bem aqui e estou a gostar de estar cá. Este é um país diferente e a adaptação foi difícil no início, mas eu gosto de Portugal", garante.
Conhece o Balcão de Atendimento ao Estudante Internacional?
O BAEI é uma estrutura de apoio aos estudantes internacionais, proporcionando-lhes uma retaguarda na abordagem e resolução de assuntos com que se possam confrontar no seu dia-a-dia, nomeadamente através do seu adequado encaminhamento para os diversos serviços da UMinho. Marcela Maia é a técnica disponível a tempo inteiro neste gabinete (9h00-12h30, 14h00-18h00) sedeado no 2º piso do Complexo Pedagógico II, no campus de Gualtar. Os contactos são: (+351)253601055 e balcao_ei@reitoria.uminho.pt.
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