Como começou a trabalhar na UMinho?
Foi em 1994. Vi um anúncio n’“O Comércio de Guimarães” sobre uma vaga de administrativa e decidi concorrer. Fiz as provas e fui admitida! Na altura estava a terminar o bacharelato em Secretariado pelo ISLA - Instituto Superior de Línguas e Administração, em Gaia. Quando fiz a entrevista, em novembro de 1993, ainda me faltava terminar uma cadeira. Tenho ideia de ter sido das primeiras pessoas a ser admitida na UMinho com um curso superior e creio que essa terá sido a razão que mais pesou na decisão de me selecionarem.
Que funções tinha no Departamento de Engenharia Civil (DEC)?
Na altura em que comecei a trabalhar, o DEC tinha uma dimensão bem mais pequena, pelo que o volume de trabalho era, consequentemente, bem menor. Por isso, a minha colaboração não se limitava apenas ao apoio à direção, fazia um pouco de tudo. No meu primeiro ano de trabalho iniciou também a primeira edição do mestrado em Engenharia Civil. Executava as funções ligadas à contabilidade, prestava apoio aos diversos projetos do Departamento e ao então Centro de Engenharia Civil. Enfim, tratava de todas as funções administrativas e transversais ao Departamento.
Trabalhava sozinha no DEC?
Já trabalhava cá o sr. Domingos Barros. Foi ele quem me ensinou grande parte dos assuntos inerentes ao Departamento. Passados dois ou três anos, foi para o Instituto Politécnico do Cávado e do Ave e fiquei como responsável pela parte administrativa do DEC. Por essa altura, a unidade começou a crescer exponencialmente e deixei de conseguir garantir todo o serviço. Houve um ano em que trabalhei 12 horas por dia. Na impossibilidade de continuar neste registo, a direção do Departamento começou a contratar mais funcionários. Hoje somos seis administrativos, que se dividem pelas diversas áreas e necessidades do DEC.
Que funções desempenha?
Sempre trabalhei diretamente com a direção do Departamento. É o que mais gosto de fazer. Estive um ano a prestar apoio aos cursos de doutoramento, mas entretanto veio uma colega para me substituir, pois o volume de trabalho era tão grande que não me permitia conciliar as funções. Faço a gestão financeira dos projetos não financiados, das verbas que o DEC recebe por parte do Orçamento de Estado, trato da distribuição do serviço docente e, depois, todos os assuntos relacionados com a direção, ou seja, propostas de contratação de docentes, abertura de concursos para bolseiros, no âmbito dos projetos de investigação, entre outros.
O que a satisfaz mais no seu trabalho?
Gosto particularmente de executar tarefas e funções de suporte. É um trabalho mais minucioso e de “bastidores”, mas é o que me dá mais prazer. Cheguei a integrar júris de concursos públicos para aquisição de bens e agradava-me o trabalho de análise das candidaturas, da legislação aplicável e de todo o desenrolar do processo administrativo.
Alguns anos depois de ter iniciado funções na UMinho resolveu voltar aos estudos.
Com todas as mudanças que o Departamento estava a sofrer, achei que seria positivo prosseguir estudos. Tinha 32 anos quando me inscrevi na licenciatura em Línguas Secretariado – ramo de Tradução e Interpretação Especializada, no
ISCAP - Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto. O curso funcionava em regime pós-laboral e, por isso, consegui conciliar com o trabalho. Concluí no tempo previsto e correu melhor do que o que eu estava à espera. Parece-me que a partir de certa altura da vida, quando temos o tempo mais programado, mais ocupado, apuramos as nossas capacidades de concentração e de eficácia nas tarefas que nos cabem. Isso é certamente fruto da maturidade! Apesar deste meu esforço, que, devo dizer, foi feito com toda a satisfação, pois gostei muito do curso, das cadeiras e dos conteúdos, acabei por não progredir na carreira profissional, como estava nos meus objetivos. As contingências menos favoráveis dos últimos anos inerentes à função pública e à própria UMinho, infelizmente, não me permitiram essa oportunidade.
O que mais a marcou ao longo do seu percurso pela Universidade?
Algumas das marcas mais positivas foram feitas pelas pessoas que tive a oportunidade de conhecer. Por exemplo, fiz uma grande amizade com a nossa primeira bolseira. A Giselle Moraes veio em 1999 e, desde então, mantemos contacto. Inclusivamente, já a visitei no Brasil, para onde voltou depois de um ano a trabalhar cá. Tenho uma relação muito boa com os docentes mais novos, que foram sendo contratados nos últimos anos. Como somos próximos na idade, gerou-se uma grande amizade e prezo muito essa ligação. Já no âmbito profissional, gosto muito do meu trabalho e empenho-me por inteiro. Houve tempos em que vivia para a UMinho. Mas, ao mesmo tempo, sinto que gostava de experimentar outros serviços da universidade, envolver-me noutros desafios. Eventualmente surgirão essas oportunidades.
Aprendeu mais com os outros ou considera que outros aprenderam mais consigo?
Não sei o que dirão os outros do meu trabalho… Estou certa que aprendi muito com as pessoas com quem fui partilhando este espaço e as funções, mas, ao fim e ao cabo, acredito que tenha sido uma aprendizagem de parte a parte. Destaco Cristina Fernandes, que prestava apoio à direção do mestrado integrado e ensinou-me muito a moldar a postura perante determinadas adversidades! [sorriso] Sou uma daquelas pessoas que “ferve em pouca água”.
Divide o tempo entre a UMinho e a Sociedade Protectora dos Animais (SPA). Como começou essa dedicação?
É um gosto que já tem que nascer connosco! Tomei a decisão quando, em 1997, li um artigo que falava sobre maus-tratos a animais. Foi uma leitura tão chocante que senti que tinha que fazer algo e dar o meu contributo. Juntei-me, como voluntária, à SPA de Guimarães. Comecei a dinamizar iniciativas de sensibilização e adoção e encontrei rapidamente pessoas que sentiam o mesmo e juntaram-se a mim. A partir daí, outras iniciativas foram sendo organizadas e conseguimos obter alguns apoios, a componente que tem tanto de importante como de instável, pois há dias em que temos cinco animais e nos seguintes podemos ter o dobro. Quando recebemos um novo animal ponho-me logo a fazer contas de cabeça. Não nos podemos dar ao luxo de abrir falência e isso, por vezes, causa-me angústia. Contudo, e apesar de ocupar o cargo de presidente, faço o meu melhor: ando pelas ruas, envolvo-me com as pessoas e sensibilizo-as. Explicar como devem tratar do seu animal de estimação é o primeiro passo para tudo correr bem. Idealmente era, no futuro, esta associação não ser necessária!
Caraterísticas pessoais
Um livro. Gosto muito de ler ficção. Elejo os livros de Dan Brown.
Um filme. “Braveheart”, de Mel Gibson.
Uma música. A banda sonora de “Braveheart”.
Uma figura. Todas as pessoas que se dedicam aos outros e a causas sociais. São muitas: Madre Teresa de Calcutá, Ghandi… Há personalidades que podiam usar o mediatismo para dar o exemplo e levar os outros a segui-las, mas não o fazem.
Um passatempo. A Sociedade Protectora dos Animais!
Uma viagem. Londres. Gostava de voltar e, eventualmente, de viver por lá uns tempos.
Um prato. Tofu com legumes.
Um momento. Quando dou um animal para adoção e, mais tarde, ao visitá-lo, vejo que está feliz.
Um vício. Tabaco. Ainda não venci essa batalha.
Um defeito. Fervo em pouca água.
Um sonho. Tornar a SPA autónoma financeiramente e dedicar-me exclusivamente a ela.
A UMinho. Será sempre a minha casa profissional. Procuro fazer o melhor que sei, da melhor forma que sei. Apesar de alguns pesares, estarei cá, sempre.
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