"Adoro aprender coisas novas e ajudar a resolver problemas"

30-04-2019 | Pedro Costa

1 / 6

Fátima Silva

Nasceu há 55 anos no Huambo, Angola. O 25 de Abril "levou-a" aos 11 anos com a família para Nine (Famalicão), depois Póvoa de Varzim e Braga. A técnica de informática da Divisão de Tecnologias e Sistemas de Informação (DTSI) soma 30 anos na UMinho e recorda com carinho ter digitado a tese doutoral deste reitor. Quer concluir o curso de Contabilidade.


Como foi a sua infância?
A minha infância em Angola foi fantástica. Era muito rebelde, só queria andar na rua. Quando chegava a casa depois das aulas ia logo a correr para a praia. Vim de Angola em novembro de 1974 e, como os meus pais eram do Norte de Portugal, fomos viver para Nine, onde fiz o 5º e 6º ano. Apesar de ser tudo novo e muito diferente do que estava habituada, foi bom. Nestes tempos em Nine aprendi muitas coisas, como trabalhos de agricultura, bordar (ponto crivo), pintar... Já nessa altura se faziam ATL’s na Casa do Povo. Entretanto, em 1977 os meus pais foram viver para Póvoa de Varzim, onde concluí os estudos secundários.
 
Qual foi o seu percurso profissional antes da UMinho?
Comecei a trabalhar por brincadeira nas férias da escola numa sapataria - uma brincadeira que acabou por durar nove meses. Depois fui para uma empresa de contabilidade cerca de três anos; comecei por trabalhar num computador ainda de fita magnética, enorme, onde eram processados os salários e a contabilidade das empresas clientes. Depois vieram os computadores Olivetti sem disco duro e dois leitores de disquetes. Era uma dor de cabeça cada vez que se carregava uma aplicação informática e os dados das empresas. Entretanto, candidatei-me para outra empresa, em Vila do Conde, mas as coisas não correram muito bem. Essa empresa dava cursos financiados pelo Fundo Social Europeu e era dealer [revendedora] da [multinacional] ICL. Mas valeu a pena pelos conhecimentos que adquiri em computadores diferentes dos que conhecia até então, assim como em novas aplicações informáticas.
 
Como se deu a sua entrada nesta universidade?
Tinha-me despedido da empresa de Vila do Conde e candidatei-me a um lugar de secretariado num dos cursos do Fundo Social Europeu ministrados na UMinho. Prestei provas e fui selecionada juntamente com a Manuela Ramos para secretariarmos esse curso. Quando o curso acabou foi-nos proposto continuarmos a trabalhar no então Centro de Informática (CIUM), mas desta vez como funcionários da universidade.


"grande família" do Centro de Informática

O que retém sobre os primeiros tempos na UMinho?
Recordo-me da universidade espalhada pelo centro de Braga. Depois aconteceu a mudança para o campus de Gualtar. No CIUM éramos uma grande família. Estávamos sempre todos presentes nos bons momentos e nos maus momentos. Como todos éramos jovens tivemos os casamentos, os nascimentos, mas infelizmente também vivemos o falecimento de quatro colegas. Em anos diferentes, mas que mexeram muito comigo e com os restantes colegas.

Que funções foi desempenhando?
No CIUM tive a meu cargo também secretariar todo o Projecto MITO. Este protocolo envolvia a UMinho, a empresa Unisys e um banco, permitindo aos alunos, docentes e funcionários comprar computadores a pronto pagamento ou a crédito a um preço mais baixo do que existia no mercado, o que na altura não era acessível ao consumidor, seja pelos preços praticados como pelo crédito então quase inexistente. Estive também a apoiar a gestão das verbas do CIUM, a gestão de recursos humanos nos laboratórios de informática, sendo depois convidada para a equipa de operadores do CIUM que trabalhava por turnos. Aí, tinha como função garantir o bom funcionamento dos laboratórios de informática ao nível de equipamentos e da marcação de postos de trabalho e, ainda, apoiar os alunos nas suas necessidades a nível de informática. Nesta equipa estive um ou dois anos, tendo sido transferida em 2004 para o Gabinete de Sistemas de Informação (GSI), atualmente Direção de Tecnologias e Sistemas de Informação (DTSI), onde permaneci até hoje.

E as suas funções na DTSI?
As minhas tarefas começaram por ser backups, carregamento de portais, suporte às unidades, testes às aplicações desenvolvidas pelos especialistas e elaboração de manuais. Durante algum tempo tive uma tarefa muito engraçada destinada ao Gabinete de Comunicação, Informação e Imagem (GCII): digitalizar todas as noticias que saíam nos jornais locais. Hoje, a minha função principal é o suporte informático, que engloba uma grande diversidade de tarefas.

O que gosta mais no seu trabalho?
Gosto de tudo. Principalmente de estar sempre a aprender coisas novas. Recebo por dia muitos emails do estrangeiro, de candidatos aos nossos cursos, e sentir que ajudei na resolução dos seus problemas faz-me sentir bem.
 
Que pessoas mais a marcaram neste trajeto?
O professor Alberto Proença, uma pessoa muito exigente, mas também muito humana. Sempre fez tudo pelo bem-estar dos seus funcionários. E, claro, todos os colegas que fizeram parte do CIUM. Digamos que vivi com eles os melhores e os piores momentos da minha vida.
 
Que estórias curiosas guarda?
Terem-me acordado às três da manhã para descarregar um camião com 300 caixas. Isto porque na altura eu morava por cima do CIUM, junto ao Conservatório de Música Calouste Gulbenkian. Também digitei a tese de doutoramento do nosso atual reitor, uma recordação que guardo com carinho.
 
O que ainda falta acontecer no seu percurso profissional?
Acabar a minha licenciatura em Contabilidade. Eu gosto muito da área, sempre foi a “menina dos meus olhos”. Mas mudar de carreira nesta altura não me ia trazer nenhum benefício. Enfim, quem sabe, quando me reformar da UMinho - e se ainda tiver cabeça - talvez vá fazer algo nessa área! [sorriso]
 


  Algumas notas pessoais

  Na minha gaveta guardo bolachas e fruta.
  Mal entro no carro ligo o rádio, mas em casa prefiro a televisão.
  Considero-me uma pessoa cumpridora e penso que os outros me acham muito preocupada.
  Num jantar, não dispenso um copo de vinho.
  Ao fim de semana, passo o meu tempo com o meu marido e os filhos.
  Nada me fará esquecer o momento em que fui mãe.
  Gostava muito que amanhã acabassem as guerras, a inveja e reinasse o amor ao próximo.
  O meu dia não acaba sem um filme.
  A UMinho é a minha casa!