CEB é o centro de I&D da UMinho com mais empresas criadas

31-03-2020 | Daniel Vieira da Silva

Centro de Engenharia Biológica da UMinho

Madalena Alves é a nova diretora do CEB, sucedendo a Eugénio Campos Ferreira

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O ambiente do Centro de Engenharia Biológica está associado à criação de 15 spin-offs e start-ups. Um número que deixa os seus responsáveis orgulhosos.




A UMinho tem cerca de meia centena de spin-offs direcionadas para diversas áreas de atuação, como saúde, biotecnologia, psicologia, engenharia e informática, entre outras. Estas jovens empresas criadas por docentes, investigadores ou ex-alunos da instituição reforçam o ecossistema de inovação e empreendedorismo da academia. Entre estas, 15 foram criadas no ambiente do Centro de Engenharia Biológica, o centro de I&D que mais empresas ajudou a criar. “É um motivo de grande orgulho”, assumiu Madalena Alves, diretora do CEB, o qual agrega 120 investigadores doutorados, dos quais 23 são docentes da UMinho e 62 são cientistas contratados.

“As empresas criadas no âmbito de investigação desenvolvida no CEB são o elo da transferência e da valorização do conhecimento para a sociedade e, nessa perspetiva, têm a maior importância para nós”, frisou a responsável ao NÓS. “Há empresas no setor da biotecnologia industrial, da biotecnologia ambiental, da biotecnologia para a saúde e da biotecnologia alimentar”, explicou, afirmando que “em todas essas áreas há lugar a interação entre o CEB e as empresas quer em termos de desenvolvimento de investigação, quer em termos de serviços técnicos prestados”.
 
O CEB assume-se como uma unidade de investigação focada na excelência científica com impacto e aplicabilidade relevantes. Nessa perspetiva, tem desde o seu início promovido e incentivado a criação de empresas. Contudo, “as condições de acolhimento de empresas não são as melhores em termos logísticos”, face à inexistência de um “espaço próprio de incubação na vizinhança dos laboratórios”, salienta Madalena Alves, que é também professora catedrática do Departamento de Engenharia Biológica da Escola de Engenharia da UMinho.

Ainda assim, a posição do CEB no contexto nacional deixa os seus responsáveis orgulhosos. “Temos plena consciência que há ainda muito a melhorar na nossa cultura científica, na angariação de financiamentos mais competitivos e de grande prestígio e na nossa rede de colaborações internacionais”, assumiu Madalena Alves, apontando como fatores diferenciadores “a abertura à sociedade, as estratégias comunicacionais e a aposta na difusão do conhecimento em acesso aberto – o CEB é a maior comunidade do RepositóriUM”.

Este centro desenvolve a sua investigação em quatro áreas: Biotecnologia e Bioengenharia em SaúdeBiotecnologia Ambiental e BioengenhariaBiotecnologia Industrial e Bioengenharia; Biotecnologia e Bioengenharia de Alimentos.


Eis a lista de alguns exemplos das empresas criadas: *
AmbiSys
Ambisys

A Ambisys é uma spin-off especializada em soluções de tratamento sustentável para água, efluentes e resíduos orgânicos. Após sete anos de existência adquiriu o estatuto de spin-off graduada por ter sido incorporada na empresa Ecovisão, do grupo Elevo.




BCTechnologiesBCTechnologies

A BCTechnologies (Bacterial Cellulose Technologies) atua nas áreas da biotecnologia e da engenharia biomédica, explorando a celulose bacteriana, um biopolímero obtido por fermentação. A sua atividade de I&D, networking e ligação à indústria faz com que crie soluções novas e aprimoradas para o setor de alimentos, biomédico, compósitos, celulose e papel.
 




Biomode
Biomode Biomolecular Determination


A Biomode é uma spin-off apostada em atividades de investigação e desenvolvimento para o desenvolvimento de um portfólio de patentes que permitirá à empresa comercializar ou licenciar kits de diagnóstico nas áreas de saúde e segurança alimentar com base na tecnologia PNA FISH (Peptide Nucleic Acid Fluorescence In Situ Hybridization). A Biomode lançou-se com um kit de diagnóstico que deteta uma bactéria ligada ao surgimento de úlceras no estômago.
 


 

Castro, Pinto & Costa

 
O grupo Castro, Pinto & Costa (CPC), criado em 2000 tem uma vasta experiência no mercado, atuando nas áreas da Qualidade e Inovação. Encontra-se estruturado em várias unidades de negócios: Serviços de Consultoria e Formação (prestando apoio às empresas ao nível da consultoria, auditorias e formação profissional); Laboratório de Análises; Serviços de I&D, controlos analíticos e gestão de projetos; Comercialização de produtos e equipamentos de controlo no setor agroalimentar e Saúde e Bem-Estar, pela comercialização de cosméticos.



FermentUMFermentUM

A Fermentum, Engenharia das Fermentações é uma spin-off lançada em 2011 que dedica seu trabalho no campo agroalimentar e biotecnológico. A empresa possui uma estrutura técnica altamente qualificada, trabalhando em busca de soluções inovadoras principalmente em tecnologia de fermentação, produzindo cerveja artesanal e comercializando-a através da “Cerveja Letra”.





ImproveatImproveat

A Improveat desenvolve soluções para a indústria de alimentos, nomeadamente novos ingredientes alimentares que podem ser usados para aumentar a qualidade e a segurança dos produtos alimentícios. Atende às necessidades e novas ideias dos clientes com o desenvolvimento de ingredientes alimentares inovadores e/ou produtos alimentícios. Conquistou o 2º Prémio no SpinUM - Concurso de Ideias de Negócio, promovido pela TecMinho em 2013, e ainda uma Menção Honrosa na categoria “Melhor Start-up Agro-Industrial” pelo Ministério da Agricultura.




SatisfibreSatisfibre

A Satisfibre tem dedicado as suas atividades ao desenvolvimento do processo de produção de celulose bacteriana e à exploração do potencial tecnológico e comercial da mesma na indústria alimentar, cosmética e (bio)compósitos. Esta empresa tem criado sinergias com as indústrias de diversos setores, orientadas ao desenvolvimento de produtos inovadores. As suas atividades de investigação pretendem demonstrar a potencialidade da celulose bacteriana nas várias área de aplicação comercial.

 
 


SilicolifeSilicolife
 
A SilicoLife foi criada em 2010, tem 15 recursos humanos e está envolvida em mais de 10 projetos europeus, cooperando com outros nos EUA e no Japão. Lidera uma das maiores iniciativas em biologia sintética na Europa, da qual a UMinho faz parte. A empresa cria microrganismos otimizados e novos caminhos para aplicações de biotecnologia industrial, com base em inteligência artificial e abordagens de biologia sintética, reduzindo o tempo de desenvolvimento e os custos de novos processos altamente eficazes para a produção de compostos-alvo específicos, como produtos químicos, ingredientes alimentares ou biopolímeros. Já venceu vários prémios de investigação e, em 2019, integrou a lista “50 Hottest Startups in Portugal".




SimbienteSimbiente


A Simbiente é uma empresa focada na investigação, desenvolvimento, inovação e serviços relacionados às áreas de Engenharia Ambiental e Biotecnologia. Fundada em 2004, resulta da atividade de uma equipa de investigadores do CEB. A Simbiente compartilha a equipa, projetos e experiência com a Simbiente Açores e a Simbiente Chile, juntando um grupo de 15 profissionais multidisciplinares, incluindo engenheiros (ambientais, geológicos, biológicos), biólogos, microbiologistas, bioquímicos, geógrafos e geólogos. A Simbiente tem já concluídos mais de 120 projetos, atua em 10 países e desenvolve 13 projetos de I&D.


 

SolfarcosSolfarcos

A spin-off da UMinho nasceu em 2016 com o objetivo do desenvolvimento de soluções farmacêuticas e cosméticas e de técnicas analíticas para aplicar na investigação em biotecnológica. Ajudar no tratamento da artrite reumatóide e atuar na modelação capilar são o foco desta empresa que fornece ainda serviços de consultoria e gestão para apoiar projetos europeus no campo da nanomedicina. 
 
 
 


* Foram ainda criadas mais empresas no ambiente CEB, sendo elas a Biotempo, Inception Lifesciences, Fórmula D'Avó, KhairPep e Vinalia.