Centro Audiovisual e Multimédia da UMinho disponível em 2023

29-04-2022 | Pedro Costa | Fotos: Nuno Gonçalves

Madalena Oliveira é vice-presidente do Instituto de Ciências Sociais da UMinho, onde é também professora do Departamento de Ciências da Comunicação e, ainda, diretora e investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS)

O futuro Centro Audiovisual e Multimédia ocupa perto de 500m2 do edifício 13 do campus de Gualtar

O espaço prevê acolher um grande estúdio audiovisual, dois estúdios de rádio, salas de locução, duas zonas de pós-produção, redação, sala de maquilhagem, régie, sala multifunções, duas salas de formação, bastidores, receção, áreas de apoio e arrumos

A evolução das obras na área sudoeste do campus de Gualtar tem sido visível

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A infraestrutura ronda os 500 metros quadrados e 1.3 milhões de euros. Pretende servir os alunos de Comunicação, além da academia e de projetos externos, refere a professora Madalena Oliveira.





 É um projeto que conheceu avanços lentos, ao longo de quase duas décadas. No papel está pronto há anos, mas só agora está a ser materializada a sua instalação, também fruto de uma candidatura que facilita a viabilidade económica deste investimento que ultrapassa 1.3 milhões de euros. Está em fase de conclusão a adaptação do espaço físico, com uma área total de 500 metros quadrados e três pisos funcionais, no edifício 13 (Instituto de Educação) do campus de Gualtar, em Braga. A seguir, avança o concurso para aquisição de mobiliário e recursos técnicos, esperando-se que no próximo ano este espaço já conheça os primeiros utilizadores.
 
Madalena Oliveira, vice-presidente do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da UMinho e interlocutora com a Reitoria no projeto, lembra ao NÓS esta "trajetória longa, que envolveu várias pessoas, especialmente do Departamento de Ciências da Comunicação” (DCC), e admite que é com alegria que participa nesta fase em que “um velho sonho começa finalmente a tomar forma”. 

A história conta-se de forma simples. Em 2002/2003 foi descontinuado o pequeno estúdio na residência universitária de Santa Tecla, em Braga, com a promessa de se instalar um novo, com melhores condições, no campus de Gualtar. Contudo, este anseio foi sendo adiado por diversas razões, nomeadamente financeiras, apesar dos esforços de diversas equipas de presidência do ICS e da direção do seu DCC, que participaram em todos os trabalhos de planeamento.
 
 

O primeiro passo
 
Em 2016, o projeto de arquitetura do novo Centro Audiovisual e Multimédia ficou finalmente pronto. Desde aí, o desafio foi encontrar formas de financiamento para a construção desta importante infraestrutura. Madalena Oliveira recorda melhor a fase em que se envolveu mais diretamente, “fruto das responsabilidades entretanto assumidas na vice-presidência do ICS”. Entre 2019 e 2020, em resultado de reuniões com o pró-reitor para as Infraestruturas, o processo foi retomado. Depois disso, após uma reunião entre o reitor Rui Vieira de Castro e os professores Helena Machado, presidente do ICS, Helena Sousa, então diretora do DCC, e Moisés Martins, então diretor do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), “foram acertadas as condições para avançar com a obra”.
 
O concurso público e a respetiva adjudicação da empreitada de obra estrutural permitiram começar, em setembro de 2021, as obras de transformação do edifício, que compreendem intervenções de arquitetura, de acústica, de instalação elétrica e de sistemas de comunicação. Só depois o espaço poderá ser equipado com tecnologia para a produção e realização audiovisual e multimédia.

Os cerca de 500 metros quadrados de área deverão ter um grande estúdio de produção audiovisual, com zona de produção com chroma key e outra zona com adaptação para cenários, bem como dois estúdios de rádio e salas de locução, duas zonas de pós-produção (para áudio e vídeo), uma redação, uma sala de maquilhagem, uma régie, uma sala multifunções e duas salas de trabalho/formação, para além de uma zona de receção, áreas de apoio, arrumos e bastidores. 

Para o pró-reitor para as Infraestruturas e Transformação Digital, José Fernandes, esta valência constitui-se como um Centro de Valorização e Transferência de Tecnologia (CVTT), apresentando-se como um laboratório de empreendedorismo, tanto do ponto de vista do ensino como da exploração de tecnologias emergentes e de novos territórios de produção de conteúdos interativos. Com esta perspetiva, a sua atuação projeta-se “nas dimensões do Ensino/Formação, Empreendedorismo e Desenvolvimento Regional e, na Investigação e Inovação”.
 
O orçamento global da intervenção é de 1.3 milhões de euros, sendo 1.1 milhões (85% do total) comparticipados pelo FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional) e os restantes 15% com receitas próprias da Universidade. A candidatura foi submetida pela UMinho em dezembro de 2021 e aprovada no passado dia 21 de abril. O pró-reitor diz que a execução financeira da obra está prevista até 30 de junho de 2023. A obra de adaptação do espaço fica concluída em junho próximo, iniciando-se em breve a fase de aquisição do equipamento necessário ao funcionamento do Centro.
 

 
Salto qualitativo e novas possibilidades
 
 A valência dará novas condições às atividades pedagógicas, “que poderão enfim deixar as instalações improvisadas, em salas sem verdadeiras condições físicas para produção de áudio e de vídeo”, refere Madalena Oliveira. O novo Centro vai servir os vários cursos do DCC, alargando horizontes no âmbito da formação em produção e realização audiovisual.
 
“As possibilidades abrem-se para os nossos estudantes, mas não só”, menciona a docente, referindo que o DCC “tem há muito a consciência da necessidade de uma estrutura que favoreça o desenvolvimento da indústria criativa, assim como a aquisição de competências que respondam aos desafios do mercado em termos de produção de conteúdos multimédia, audiovisuais e conteúdos interativos, hoje essenciais para os processos de comunicação”. A responsável acrescenta que o espaço estará aberto à academia, mas irá também ao encontro de projetos emergentes de iniciativa privada, ou produtores independentes, que poderão encontrar aqui oportunidades de utilização, num contexto em que “o audiovisual e o multimédia são uma linguagem fundamental da comunicação e das media arts”.
 
Enquanto professora, Madalena Oliveira vê as atuais condições “de completo improviso” como uma limitação das “possibilidades de trabalho e exercício com os estudantes, apesar de se conseguirem desempenhos de qualidade”. A fileira de cursos de Ciências da Comunicação tem uma vertente profissionalizante importante, que sairá beneficiada com as novas possibilidades laboratoriais proporcionadas pelo novo Centro, com recursos que enriquecerão a experiência pedagógica e as oportunidades para o exercício da criatividade. “Poderemos inclusive vir a dinamizar cursos de curta duração, orientados para determinado tipo de profissionais”, declara, sabendo-se que estes recursos serão essenciais para a competitividade e expansão da oferta formativa do ICS.
 
A docente acredita que o Departamento de Ciências da Comunicação terá também a possibilidade de retomar o projeto de criação de um curso de Cinema. Essa pretensão tem sido sucessivamente adiada, “porque tem que haver recursos tecnológicos que apoiem as atividades para que se prepara um cineasta ou um realizador ou um sonoplasta. Não faria sentido reduzir uma licenciatura deste tipo a uma vertente exclusivamente teórica e, para a vertente prática, são necessárias condições materiais”.
 
O campo das possibilidades amplia-se na medida em que, “havendo condições para dotar o Centro Audiovisual e Multimédia de recursos humanos exclusivamente dedicados, será também viável abrir este espaço à prestação de serviços à comunidade” e ao desenho de metodologias pedagógicas, por exemplo, adaptadas ao ensino a distância e às necessidades emergentes.