Dez séries de televisão a não perder

18-12-2020

The Sopranos

Twin Peaks

The Wire

Breaking Bad

Black Mirror

The Crown

Chernobyl

La Casa de Papel

Fauda

Fariña

3%

Xaquín Núnez-Sabarís é investigador do Centro de Estudos Humanísticos e professor do Departamento de Estudos Românicos do Instituto de Letras e Ciências Humanas da UMinho

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Estão na moda e encaixam no confinamento. Xaquín Núnez-Sabarís, do Instituto de Letras e Ciências Humanas, estuda ficção em plataformas culturais e dá-nos sugestões de séries para a pausa letiva.




Após as dez sugestões natalícias de livros por Maria do Carmo Mendes Ribeiro, de músicas por Ângelo Martingo e de filmes por Martin Dale, Xaquín Núnez-Sabarís aceitou o desafio de indicar duas mãos cheias de séries imperdíveis (e ainda mais algumas) a pensar nos fãs de maratonas junto do grande ecrã. "O século XXI é, sem dúvida, o das séries de televisão. Globalizaram-se e atingiram uma qualidade narrativa e visual que não se tinha visto até ao momento. A cultura de hoje em dia não se entende sem estes produtos que já estão a dialogar com o cinema, a literatura e o teatro. Nesta complicada seleção de dez séries, incluí aquelas que já são clássicos televisivos e algumas mais próximas que constatam este interesse de deslocalização cultural e geográfica", resume.

1. The Sopranos (1999-2007)
O drama original, criado por David Chase, foi um ponto de inflexão na forma de ver televisão e na história das séries televisivas. Estreada em 1999 e protagonizada por James Gandolfini, no papel de Tony Soprano, relatava as histórias da máfia italo-americana de New Jersey. O início: um mafioso perante a sua psicóloga era toda uma declaração de intenções. O clássico, dentre os clássicos.

2. Twin Peaks (1990-1991)
Esta criação de David Lynch e Mark Foster demonstrou que se podia conciliar a linguagem televisiva com o cinema de autor. A série pretende resolver o assassinato da jovem Laura Palmer. A partir da intriga da investigação, vamos conhecendo a atmosfera claustrofóbica e misteriosa de um pequeno povoado americano, que tanto influiu outras séries como True Detective (também excelente a sua primeira temporada) ou filmes e obras literárias atuais.

3. The Wire (2002-2008)
O primeiro sucesso televisivo que foi resultado da comunidade digital de espetadores. Passou, sem grande sucesso, pela HBO, numa primeira emissão, mas o público global faria desta série um imprescindível objeto de culto. Os bairros problemáticos de Baltimore, o tráfico de droga e as pesquisas policiais protagonizam esta descida aos respetivos círculos das cinco temporadas: a justiça, o sindicalismo portuário, a escola, a política e o jornalismo. Apesar do protagonismo coletivo e coral, as personagens criadas por David Simon, como McNulty, Stringer Bell, Frank Sobotka ou Omar fazem parte já da história da televisão.

4. Breaking Bad (2008-2013)
A DEA está preocupada em saber quem é Heisenberg, o misterioso narcotraficante do Nuevo México e nós, espectadores, queremos saber quem é, afinal, Walter White. Uma revisitação do Dr. Jekyll e Mr. Hyde e do Frankenstein, com o convencionalismo mais reconhecível dos filmes de ação. A não perder também a spin-off protagonizada por um dos atores secundários da série, Better Call Saul.

5. Black Mirror (2011-)
O espelho negro dos capítulos desta série devolve-nos uma imagem de um realismo distópico angustiante. As referências aos videojogos dos anos 80, à cultura interativa, a Rayuela (Cortázar), The Birds (Hitchcock) ou Animal Farm (Orwell) fazem de Black Mirror uma peça de arte para compreendermos a cultura e a arte distópica dos nossos dias.

6. The Crown (2016-)
Recolhe o melhor da tradição televisiva britânica. A história contemporânea do Reino Unido e do mundo, desde o reinado de Elisabeth II. Excelente narrativa fílmica, fotografia e interpretação. Muito interessante a presença da televisão, dentro da televisão, como ícone de um mundo que se assomava de maneira imparável ao império da imagem.

7. Chernobyl (2019)
Um dos episódios mais trágicos da era contemporânea contada em cinco capítulos, totalizando cinco horas de metragem. Uma minissérie ou um filme longo que, ao jeito de um thriller, apresenta, com uma excelente produção, os aspetos mais controvertidos e dramáticos da explosão da central nuclear da antiga União Soviética.

8. La Casa de Papel (2017-)
Representa a potencialidade de produtos locais (emitida inicialmente num canal espanhol com sinal aberto) para se converterem em fenómenos globais. Puro lazer, com uma proposta narrativa muito interessante, que faz com que a história progrida de maneira ágil e vertiginosa. As personagens Tokio, Nairobi, Berlin são ícones pop e a canção Bella Ciao, popularizada pela série, é já um hino internacional de resistência.

9. Fauda (2015-)
O conflito palestino-israelita, com o melhor do cinema bélico e a profundidade introspetiva das personagens. Filmada em hebreu e árabe, faz parte das séries dramáticas baseadas em conflitos político-armados. Em 2020, a HBO acabou também de estrear a série Pátria, do romance homónimo de Fernando Aramburu, centrada na história de duas famílias bascas, divididas pelas ações terroristas do grupo ETA.

10. Do internacional ao local (e vice-versa)
O sucesso televisivo possibilitou também o interesse por histórias, temas e personagens de produções mais próximas culturalmente. Destacamos Fariña, a série sobre o narcotráfico na Galiza, nos anos 80 e 90, e sobre esta temática temos também a coprodução entre a Radio Televisión de Galicia e a RTP, Auga Seca, disponível na HBO. De interesse também O Sabor das Margaridas, a primeira série em galego a fazer parte do catálogo da Netflix e com audiência massiva em diferentes países. Aponto, igualmente, o thriller policial Hierro e a série híper-realista Antidisturbios, duas produções da plataforma espanhola Movistar. Por último, a brasileira 3% foi a primeira série da Netflix em língua não inglesa e apresenta um mundo distópico para retratar o Brasil de hoje, sem olhares estereotipados.